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Com apoio do Emater, artesã paranaense conquista mercado internacional

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Hobby se transformaria em profissão e a tornaria uma artesã internacionalmente conhecida

Foi entre palha de milho seca que Luzia Kava Seroka encontrou um meio de ganhar um dinheirinho extra para a família. Quando, há 20 anos, fez seu primeiro curso ofertado pelo Instituto Emater, Luzia não imaginava que o hobby se transformaria em profissão e a tornaria uma artesã internacionalmente conhecida. Vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, o Emater atua com extensão rural. No caso do artesanato, promove os cursos, organiza visitas técnicas e participação dos artesãos em feiras do setor. 

Foi com essas atividades que Luzia se tornou em uma referência do artesanato paranaense. “Tudo, graças a esse apoio”, afirma a artesã. Filha de agricultores de Balsa Nova, na Região Metropolitana de Curitiba, Luzia cresceu entre plantações de milho e feijão. A renda familiar era formada basicamente pela lavoura. 

A realidade mudou quando ela aprendeu a dominar as técnicas do artesanato. “Praticamente tudo que tenho em casa foi conquistado com o artesanato”, conta. Hoje, produtos como imãs de geladeira, mini presépios, marcadores de livros representam 35% da renda da família – formada por Luzia, o marido Sérgio Luiz e a filha Cristiane. “Até a faculdade da minha filha consegui pagar com a palha de milho”, conta a artesã. Os enfeites custam de R$ 4 a R$ 170,00. 

MAIS FÔLEGO - Criado no ano 2000, o projeto de fortalecimento do artesanato rural ganhou fôlego a partir de 2011, quando o Governo do Estado incluiu os produtos produzidos pelos alunos nas feiras de artesanato oficiais do Paraná. De lá para cá, ao menos 60 famílias passaram a complementar a renda com artesanato. 

A coordenadora de extensão rural para o artesanato e turismo rural, Marilda Gadens, explica que o programa é voltado para geração de renda de mulheres da agricultura familiar. “É perceptível um acréscimo de 20% na renda familiar”, diz Marilda. 

INTERCÂMBIO E FEIRAS - O instituto Emater oferece os cursos gratuitos de acordo com a característica da região. No caso de Balsa Nova, onde o milho se destaca, a escolha foi pela manufatura da palha. Já em São José dos Pinhais, também na RMC, a matéria-prima mais usada é o bambu. 

Além dos cursos, o Emater organiza intercâmbios de artesãos para troca de experiências, workshops e feiras de exposição dos produtos. O principal objetivo é tornar os produtos das paranaenses competitivos para o mercado externo. “Com a colocação do artesanato nas feiras de visibilidade nacional, como a Feiarte e o Salão Paranaense de Turismo, abrimos uma frente de comercialização para os produtos”, explica Marilda. 

Foi em uma dessas feiras que Luzia fez sua primeira exportação: uma remessa de 60 peças para os Estados Unidos. Depois disso já exportou a países da Europa e, mais, recentemente ao Chile. “Com o novo suporte técnico da Emater me qualifiquei e conquistei o mercado”, disse Luzia. 

CURSOS - Os cursos da Emater são periódicos e variam de acordo com a cidade. As prefeituras, parcerias do Emater, divulgam as vagas e inscrevem os candidatos. As aulas são ministradas por artesãos escolhidos pela Governo do Estado. “Alguns deles foram alunos dos cursos de extensão e hoje são professores”, explicou Marilda. 

É o caso da Luzia, que além de vender as peças ensina a técnica de manejo da palha para outras turmas. “A Emater se tornou uma parceria da vida. Por isso sempre digo: faça os cursos de artesanato e tenha paciência que eles dão retorno”, aconselha. 

BOX 

Artesãos expõem na Feira Internacional de Artesanato, 

Os produtos criados pelos artesãos paranaenses que participam do projeto de extensão rural do Emater estão expostos na 38° edição da Feira Internacional de Artesanato (Feiarte), que acontece no Expo Barigui em Curitiba. São produtos de 60 artesãos, de seis municípios - Araucária, Balsa Nova, Bocaiuva do sul, Campo Magro, São José dos Pinhais e Quatro Barras e uma associação de artesãos do Litoral. São artesanatos de fibras naturais como madeira, bambu e palha de milho. 

A 38° edição começou no dia 26 de maio e se encerra neste domingo (04.06). Considerada uma das maiores feiras de artesanato do sul do país, a Feiarte reúne peças expositores de mais de 20 países e 15 estados brasileiros. Há artesanato da África do Sul, Argentina, Bolívia, Chile, Índia, Indonésia, Japão, Marrocos, Portugal, Rússia, Turquia, entre outros. 

O espaço dos artesãos apoiados pelo Governo do Estado é o único da feira que reúne produtos exclusivamente de artesanato rural. Na Feiarte, além da exposição dos produtos, os artesanatos são comercializados e 100% da verba recebida fica com o criador da peça. “Nós fazemos o papel de estado e oferecemos a estrutura para alavancar as vendas e os contatos”, explicou Marilda Gadens, do Emater. 

O stand, patrocinado pela Companhia Paranaense de Energia (Copel) foi organizado pelo Instituto Emater em parceria com a Secretaria de Justiça e Cidadania e Federação dos Artesãos do Paraná.


Artur Hugen, com informações e imagens do GPR