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Operação Lava Jato corre risco de paralisação

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A renovação brutal determinada pelo eleitor em outubro teve a Lava Jato como linha de corte

Por Leonardo Mendes Júnior, Diretor de Redação da Gazeta do Povo.

A Operação Lava Jato é um marco na história do Brasil. Foi a partir das investigações de Curitiba que o maior assalto já feito aos cofres públicos, promovido pelo PT na Petrobras, pôde ser desvendado e punido.
 
Lula está preso graças à Lava Jato.
 
A Lava Jato mandou para a cadeia Cunha, Dirceu (já saiu), Palocci e muitos outros políticos.
 
Caíram Odebrecht, Pinheiro, Mendes, Pessoa e outros sobrenomes famosos da construção civil brasileira.
 
A operação galvanizou a opinião pública a ponto de o crime de responsabilidade de Dilma virar impeachment.
 
A renovação brutal determinada pelo eleitor em outubro teve a Lava Jato como linha de corte.
 
Pois é essa operação que pode estar sendo sepultada no exato momento em que você lê esta mensagem.
 
O Supremo Tribunal Federal julga de quem é a competência para julgar crimes comuns cometidos ao mesmo tempo ou em conexão com crimes eleitorais. Exemplo: corrupção que gera recurso para abastecer caixa 2. (E se você pensou “mas foi o isso que o PT fez com o dinheiro da Petrobras”, está coberto de razão)
 
Hoje, esses crimes são julgados pela Justiça Comum. Foi o que aconteceu com todo o caso de corrupção na Petrobras, sob competência da 13ª Vara Federal de Curitiba, cujo titular até ano passado era Sergio Moro.
 
Mas há um entendimento crescente dentro do STF que estes casos devem ficar com a Justiça Eleitoral. A segunda turma já deu esse destino aos processos contra Michel Temer e José Serra.
 
O que isso significa na prática? Diogo Castor de Mattos, um dos integrantes da força-tarefa da Lava Jato no MPF em Curitiba, definiu sem meias palavras a Kelli Kadanus

"É mais um ataque covarde à Lava Jato, promovido pelos mesmos ministros da Segunda Turma do Supremo que sempre decidem contra a Lava Jato. Se esses casos forem para a Justiça Eleitoral, é praticamente o fim da Lava Jato."
 
A Gazeta do Povo se posicionou em editorial, com a firmeza e a gravidade que o caso exige. Se o entendimento que já beneficiou Temer e Serra prevalecer, mesmo condenações passadas podem ser anuladas a partir de confissões (mesmo que forjadas) de que a corrupção em questão visava a alimentar caixa 2.
 
"Provavelmente teremos a maior onda de confissões de caixa dois da história do país, com o único objetivo de destruir investigações e sentenças cuidadosamente construídas."
 
O julgamento ocorre em um momento de forte questionamento do trabalho da Lava Jato, que pode sofrer novos golpes de outras frentes.
 
Somente nesta semana, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, arquivou o pedido de suspeição da Lava Jato contra Gilmar Mendes e entrou no Supremo contra o acordo feito pela força-tarefa e a Petrobras para repatriar parte da multa aplicada à empresa nos Estados Unidos.
 
A Lava Jato nunca esteve tão ameaçada. Análise e informação serão fundamentais para a compreensão da gravidade deste momento e das suas consequências.

O combate implacável à corrupção é uma exigência da sociedade brasileira. E a Gazeta do Povo será, sempre, um voz a reverberar este anseio de todos nós.
 

 

 

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