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Safra da maçã deve render 600 mil toneladas em Santa Catarina

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Em números gerais, a região de São Joaquim é responsável por 35% do plantio nacional de maçã

A safra da maçã recém iniciou em Santa Catarina, mas se depender das estimativas do setor, deve ficar próxima de 600 mil toneladas. O número representa um crescimento de 4% em relação à última colheita, quando as macieiras catarinenses produziram 575,7 mil toneladas, de acordo com a Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM). O clima também colaborou, o que agrega qualidade à fruta que colore e perfuma prateleiras por todo o Brasil.

Em números gerais, a região de São Joaquim é responsável por 35% do plantio nacional de maçã. Os municípios de Bom Jardim da Serra, Urupema, Urubici, Bom Retiro, Painel e Lages estão dentro desta fatia, que juntos devem colher entre 380 a 400 mil toneladas este ano. A estimativa é do gerente da Estação Experimental da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) em São Joaquim, Marcelo Cruz de Liz.

– São 12 mil hectares plantados, uma gama de 2,4 mil fruticultores. No Estado são 16 mil hectares, então 75% da área plantada em Santa Catarina fica aqui – comenta.

Primeiro, os fruticultores colhem a maçã Gala, e no fim de março, é a vez da Fuji. Os três Estados do Sul do país são responsáveis por 95% da produção nacional de maçã, e Santa Catarina aparece no topo. Em anos anteriores, a liderança chegou a ser do território gaúcho, mas a alta produtividade das macieiras estaduais têm trazido resultados positivos ao setor.

– A gente espera uma safra dentro da média, em termos de volume, parecida com a do ano passado, onde foi colhido 1.094 milhão de toneladas no país. Nossa primeira estimativa apontou uma safra levemente superior, cerca de 4%, o que deve chegar a 1.150 milhão de toneladas – projeta o diretor executivo da ABPM, Moisés Lopes de Albuquerque.

De acordo com o monitoramento de clima da Epagri, o inverno foi rigoroso, o que favoreceu o cultivo. De 7,2°C para baixo, foram quase 900 horas de baixas temperaturas, e durante a primavera e o verão, o volume de chuva e de insolação foram ideais. Na propriedade de João José Pinto de Arruda, a Gala não teve nenhuma perda, e a produtividade por hectare deve chegar a 70 toneladas.

O número é bem acima da média, que fica entre 40 e 50 mil quilos, e anima o fruticultor.

– Estamos em uma altitude de 1,4 mil metros acima do nível do mar, ideal para o cultivo. No ano passado conseguimos um bom preço pelo quilo junto à cooperativa, e para este ano a perspectiva é positiva. O ideal seria uma remuneração ainda melhor ao produtor, pois são frutas de qualidade superior –diz o engenheiro agrônomo.

Ele tem uma área de oito hectares, o dobro da média da região, que possui pequenas propriedades. Para essa safra, ele contratou cinco funcionários temporários, e conforme o avanço da colheita, pode precisar de mais três colaboradores.

Do Oeste e do Planalto Norte catarinense para todo o Brasil

Municípios do Oeste e do Planalto Norte catarinense também são produtores de maçã, mas a maior fatia fica concentrada na região serrana. Marcelo Cruz de Liz, da Epagri, estima que 95% de toda produção brasileira das variedades Gala e Fuji saiam de São Joaquim e cidades vizinhas.

Na área, 60% dos pomares são de Fuji e 40% de Gala e seus clones. Para escoar a safra, 88 fruticultores são cadastrados junto à Cooperserra.

Na estrutura, 36 câmaras frias armazenam as dezenas de toneladas colhidas entre fevereiro e fim de abril. Assim que são extraídas, as frutas são entregues e expostas a temperaturas próximas de zero, para preservas as características. Conforme a oscilação do mercado, a cooperativa libera mais ou menos produtos, buscando equilíbrio entre preço e remuneração para o cooperado.

– Todo ambiente é controlado, o que tem de melhor em tecnologia temos aqui. Assim a gente consegue o administrar qualidade e pode dizer que tem a Fuji mais saborosa do mundo – elogia o engenheiro agrônomo e gerente de packing, Ricardo Arruda.

Com 42 anos de atuação, a cooperativa emprega 130 funcionários. As maçãs vão para todos os territórios do país, e cerca de 5% são para a exportação. Este ano, a estimativa é que a cooperativa receba, armazene e selecione por categorias

Indicação geográfica da Fuji

A fama da maçã catarinense é conhecida, mas um grupo quer tornar a Fuji serrana uma referência dentro e fora do setor. Epagri, Sebrae, associações de produtores e poder público estão engajados para conseguir a indicação geográfica da variedade, que chegou à região em 1970 e encontrou condições favoráveis para se desenvolver e se tronar um dos pilares da economia local.

A ideia é buscar a Denominação de Origem (DO) junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Esse “selo” é fornecido aos produtos encontrados em determinadas áreas, que por suas características naturais, cultura e história, se desenvolvem com excelência nestes locais. O gerente da Epagri São Joaquim defende que a Fuji encontrada aqui é muito próxima da japonesa em produtividade e qualidade.

– É um produto que só tem aqui. Esse cultivar encontra condições ideais no clima, altitude a partir de 1,1 mil metros para mais, formato, sabor, suculência e crocância semelhantes a do Japão. Firmeza de polpa diferenciada, excelente coloração e muito adaptada à região alta de São Joaquim. São características únicas em termos de Brasil e América do Sul – defende o gerente.

Os produtores de uma área delimitada por Indicação Geográfica (IG) cumprem normas pré-estabelecidas, o que ajuda o setor. A conquista da indicação será mais um ponto de destaque para as maçãs produzidas na Serra. No início do ano, foi sancionada a Lei Federal no 13.790, que confere a São Joaquim o título de Capital Nacional da Maçã.

Artur Hugen, com NotiSerra/Fotos: Reprodução

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