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Prioridades do Brasil não incluem rixa entre Bolsonaro e imprensa

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jornalista José Roberto Guzzo, mais conhecido como JR Guzzo e o presidente Bolsonaro

Por J.R.Guzzo

Não existe nenhuma “guerra aberta” entre o presidente da República e a imprensa brasileira, com possíveis e sombrios impactos no sistema democrático, nas instituições e na liberdade de expressão.

Há, isto sim, uma reincidência, por parte do presidente da República, em brigar pessoal e nominalmente com jornalistas individuais.

Desta última vez, houve utilização de vocabulário pesado, exacerbação de hostilidades e formação de facções pró e contra, no debate político e nas redes sociais.

Sem cabimento

São coisas diferentes. A primeira seria um problema real para o estado de direito. A segunda é uma sucessão de brigas pessoais absurdas – nas quais não tem nenhum cabimento a participação de um chefe de Estado.

É de se imaginar que nenhum abalo verdadeiro às instituições resulte dessas cenas explicitas de rixa. Não dá para imaginar, realmente, que os cidadãos brasileiros passem os próximos três anos vendo os meios de comunicação levarem a público, um dia sim e outro também, que o presidente Bolsonaro está batendo boca com os jornalistas A, B, C e por aí afora, até o Z.

Isso tem de acabar. O país tem outras prioridades; o presidente tem de cuidar delas.

Público julga

Os jornalistas que digam o que quiserem, dentro das condições que a lei estabelece. Quem tem de julgá-los – e vai julgá-los, sem nenhuma dúvida – é o público – e apenas ele. O chefe da nação não pode se meter nisso.

Jornalista diz a verdade sobre a mídia: “Se Bolsonaro descobrir a cura do câncer, a mídia vai ficar contra”

O experiente e sensato jornalista José Roberto Guzzo, mais conhecido como JR Guzzo, explicou em seu Twitter qual é o modo como a grande mídia funciona em relação ao governo Bolsonaro.

Disse ele: “Se Bolsonaro descobrir a cura do câncer, amanhã ou depois, a mídia vai ficar contra; ainda não sabe direito como faria um negócio desses, mas com certeza acabará encontrando um jeito de fazer”.

E o mais indignante é que, conhecendo a nossa ‘extrema-imprensa’ não é de duvidar que isso realmente aconteça.

 

 Este texto representa as opiniões e ideias do autor.

J.R GUZZO É jornalista e colunista do Metrópoles. Na década de 1960, foi subsecretário da edição paulista do jornal Última Hora. Entrou na Editora Abril em 1968 e dirigiu o mais importante título do grupo, a Veja, entre os anos 1976 e 1991, tendo ainda atuado no Conselho Editorial da Abril. Escreveu uma coluna na revista até 2019.

 

1º texto: Fonte: Metrópoles/Reprodução no Bancada Sulista de artigo publicado originalmente no Jornal Metrópoles.com, de Brasília.

2º texto: Fonte: Reprodução no Bancada Sulista do Blog República de Curitiba