Bancada Sulista

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“Nós queremos que o Rio Grande do Sul faça um acerto de contas com o governo federal”, defende Giovani Cherini, coordenador da bancada gaúcha em Brasília

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(Brasília-DF, 31/08/2015) O deputado federal Giovani Cherini (PDT-RS) falou com exclusividade à Bancada Sulista sobre política nacional, a crise financeira do Rio Grande do Sul e a ideia de juntar os três estados do Sul para defender os interesses da região.

 

Bancada Sulista – Que avaliação o senhor faz da crise política e econômica do pais. O senhor tem esperança que vá melhorar ou acha que a tendência é piorar?

 

GIOVANI CHERINI – Eu sempre parto do princípio que nós temos que fazer sempre a agenda positiva. Todo mundo já está careca de saber as dificuldades que o país está enfrentando, as dificuldades que os nossos estados, e o Rio Grande do Sul em especial, vem enfrentando em função de anos e anos de aprovações de benesses e não se preocupar com aqueles que pagam a conta, não se preocupar com aquilo que entra. Então os estados e o país têm uma facilidade muito grande em gastar e uma dificuldade muito grande em saber de onde vem o recurso.

 

Nós, os parlamentos, sempre fizemos isso: quando é para aprovar benefícios, nós todos nos mobilizamos, votamos a favor. E aí quando vem a dificuldade, também os governos têm dificuldades internas para fazer essa agenda positiva. O meu papel como coordenador da bancada gaúcha, o meu papel como alguém que lançou a ideia da Bancada Sulista é construir essa agenda positiva. Nós acreditamos que com todos esses problemas que nós vivemos no país agora é a vez daqueles que não ficam soltando as lagrimas. Eu acho que é a vez daqueles que vendem lenços para aqueles que estão vivendo essa crise, e nós estamos todos dentro dela, mas nós precisamos encontrar no meio desse emaranhado, no meio dessa turbulência algumas fórmulas para sair desse buraco.

 

BS – E o que o Congresso Nacional, em particular, pode fazer para ajudar a sair do buraco?

 

GIOVANI CHERINI – A Câmara e o Senado podem diminuir 50% dos seus gastos e nenhum deputado e nenhum senador vai sentir falta. Se o Executivo diminuir em 50% as suas despesas eu tenho certeza absoluta que nenhum cidadão vai sentir falta. Se o Legislativo pode fazer isso e o executivo, o Judiciário também pode diminuir 50% dos seus gastos, o Ministério Público pode diminuir 50% dos seus gastos. O próprio Conselho Nacional de Justiça passou a fazer leis no Brasil, principalmente para pagar salários. Eu nunca vi isso: Conselho Nacional de Justiça aprovando benefícios ou benesses para os seus. Isso tudo tem de acabar. Essa é a hora. A agenda positiva que nós estamos fazendo parte desse princípio.

 

Nós temos que atacar o mal pela raiz, atacando a reforma administrativa, atacando a questão da dívida dos estados com a União, a rediscussão do Pacto Federativo. Pra mim, agenda positiva é isso, é você atacar o mal pela raiz e o cidadão que paga imposto ter serviço público de qualidade e ao mesmo tempo ter menos desperdício naqueles órgãos que dependem do pagamento dos impostos pra sobreviver. Porque o pagador é o mesmo: não existe autonomia, não existe independência de poderes. Todos os poderes são interdependentes porque o pagador é o mesmo, é o cidadão. Nós precisamos mudar esse pensamento que o Poder Público tem dinheiro infinitamente para gastar. Estamos chegando num momento muito positivo, porque chegou no fundo do poço, agora está na hora daqueles que gastam demais começar a diminuir os seus gastos, porque nós temos um dos custos dos poderes mais caros do mundo e uma qualidade de serviço igual à África. Então tá na hora da gente ter um custo igual a Europa e um serviço igual a Europa.

 

BS- Como é que o senhor vê as denúncias envolvendo o presidente da Câmara Eduardo Cunha (ele foi denunciado pelo Ministério Público Federal pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro sob acusação de recebimento de propina). Ainda tem clima para ele comandar a Câmara?

 

GIOVANI CHERINI -  Todos nós estamos surpresos com o tamanho do estrago. E agora a natureza do processo vai dizer a culpa ou inocência. E o Congresso Nacional também não pode parar. Eu acredito assim, em termos de funcionamento da Câmara nós tivemos um momento histórico. Os deputados não faltam às sessões porque são descontadas. Há um trabalho intenso de votação de projetos. Então nesse lado, o Eduardo Cunha está sendo um bom presidente. Porém, nesse outro lado da corrupção cabe ao judiciário o julgamento e o bom é a gente esperar. É claro que prejudica o trabalho da Câmara, mas como eu tenho dito: no meio dessa lama toda nós temos que encontrar o ponto comum. Nós não podemos fazer julgamentos precipitados, mas o que nós queremos é que no final o bem vença o mal.

 

BS -  Com relação ao seu partido, o PDT, e a relação com a base do governo Dilma como o senhor está vendo essa relação? (A legenda anunciou no começo do mês a saída da base de apoio ao governo, mas ainda ocupa o Ministério do Trabalho).

 

GIOVANI CHERINI – Nós estamos debatendo isso internamente e é bem provável que a gente tome uma posição mais forte a esse respeito agora no final de setembro.

 

BS – E seria o caso de entregar o Ministério do Trabalho, ocupado pelo catarinense Manoel Dias?

 

GIOVANI CHERINI – Nós não temos uma posição tomada de forma conjunta. O que é a realidade hoje é que nós continuamos no governo até que o partido defina uma melhor posição.

 

BS – Como é que o senhor vê a situação do Rio Grande do Sul, que teve as contas bloqueadas pelo governo federal por não pagar parcela da dívida com a União?

 

GIOVANI CHERINI – Nós queremos que o Rio Grande do Sul faça um acerto de contas com o governo federal. A secretaria da fazendo do Rio Grande do Sul tem dito que tem muitos créditos em relação ao governo federal, principalmente em relação à lei Kandir (a norma foi criada para isentar a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços nas exportações. O governo prometeu compensar as perdas dos estados, mas o repasse não é feito com regularidade). E também a questão das exportações e especialmente a questão dos juros, que o Rio Grande do Sul pagou. A dívida era R$ 9 bilhões, o estado pagou R$ 17 bilhões e tá devendo R$45 bilhões então é uma dívida impagável. É uma federação leonina que trata mal os seus entes federados. Então a nossa luta é um novo pacto federativo, junto com o governador Ivo Sartori (PMDB). E claro que o estado tem um problema muito sério que é a previdência. Hoje é um estado falido porque gasta de cada R$100,00 que arrecada R$ 54,00 pra pagar aposentados. Isso é uma empresa falida. A previdência tem que ser resolvida no Rio Grande do Sul. Então o governo federal precisa ajudar o Rio Grande do Sul. Sem isso é impossível, o estado não vai conseguir pagar novamente os funcionários no final desse mês então nós (Bancada Gaúcha) estamos aí ajudando, apoiando o governador Ivo Sartori pra ver se o Rio Grande do Sul sai desse atoleiro que se encontra.

 

BS – Quais são os próximos passos do trabalho da Bancada Gaúcha?

 

GIOVANI CHERINI -  Nós estamos conseguindo atuar em todas as frentes, principalmente priorizando a questão de infraestrutura. Nós estamos trabalhando muito pelas duplicações das rodovias BR 386, BR 116, BR 290 e também a ferrovia ( Norte-Sul).

 

BS – Com relação ao projeto de juntar as três bancadas do Sul e formar a Bancada Sulista, como surgiu a ideia e por que a necessidade de unir os três estados?

 

GIOVANI CHERINI – Foi uma ideia minha e eu quero sempre defender a ideia americana. Nos Estados Unidos é tudo dividido em regiões e essas regiões são autônomas e o nosso sonho é esse, o objetivo maior é esse: é um dia ter regiões autônomas no Brasil, com as suas leis, como é nos Estados Unidos. Aí nós vamos poder atuar e não fazer como é hoje em que você faz uma lei pro Rio Grande do Sul igual a uma pro Acre. Isso não é pacto federativo. Essa é a grande ideia, a grande mudança.

 

( da redação com edição de Genésio Araújo Jr)

 

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21 de Agosto, 2017 às 11:00